O atual Instituto Nacional de
Educação de Surdos foi criado em meados do século XIX por iniciativa do surdo
francês E. Huet.
Em junho de 1855, Huet apresenta
ao Imperador D. Pedro II um relatório cujo conteúdo revela a intenção de fundar
uma escola para surdos no Brasil. Neste documento também informa sobre a sua
experiência anterior como diretor de uma instituição para surdos na França: o
Instituto dos Surdos-Mudos de Bourges.
Era comum que surdos formados
pelos Institutos especializados europeus fossem contratados a fim de ajudar a
fundar estabelecimentos para a educação de seus semelhantes. Em 1815, por
exemplo, o norte-americano Thomas Hopkins Gallaudet (1781-1851) realizou
estudos no Instituto Nacional dos Surdos de Paris. Ao concluí-los convidou o
ex-aluno dessa instituição, Laurent Clérc, surdo, que já atuava como professor,
para fundar o que seria a primeira escola para surdos na América. Portanto,
podemos compreender que a proposta de Huet correspondia a essa tendência.
O governo imperial apóia a
iniciativa de Huet e destaca o Marquês de Abrantes para acompanhar de perto o
processo de criação da primeira escola para surdos no Brasil.
O novo estabelecimento começa a
funcionar em 1º de janeiro de 1856, mesma data em que foi publicada a proposta
de ensino apresentada por Huet. Essa proposta continha as disciplinas de
Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Escrituração
Mercantil, Linguagem Articulada, Doutrina Cristã e Leitura sobre os Lábios.
Até o ano de 1908 era considerada
a data de fundação do Instituto o dia 1º de Janeiro de 1856. A mudança deu-se
através do artigo 7º do decreto nº. 6.892 de 19 de março de 1908, que
transferiu a data de fundação para a da promulgação da Lei 939 de 26 de
setembro de 1857 que em seu artigo 16, inciso 10, consta que o Império passa a
subvencionar o Instituto. Antes desse decreto os alunos eram subvencionados por
entidades particulares ou públicas e até mesmo pelo Imperador.
No seu percurso de quase dois séculos
o Instituto respondeu pelas seguintes denominações:
1856/1857 – Collégio Nacional
para Surdos-Mudos
1857/1858 – Instituto Imperial
para Surdos-Mudos
1858/1865 – Imperial Instituto
para Surdos-Mudos
1865/1874 – Imperial Instituto
dos Surdos-Mudos
1874/1890 – Instituto dos
Surdos-Mudos
1890/1957 – Instituto Nacional de
Surdos Mudos
1957/atual – Instituto Nacional
de Educação de Surdos
No ano de 1957 foi realizada a
mudança mais significativa de suas denominações, que foi a substituição da
palavra Mudo, pela palavra Educação. Essa mudança
refletia o ideário de modernização da década de 50, no Brasil, no qual o
Instituto, e suas discussões sobre educação de surdos, também estava inscrito.
Em razão
de ser a única instituição de educação de surdos em território brasileiro e
mesmo em países vizinhos, por muito tempo o INES recebeu alunos de todo o
Brasil e do exterior, configurando-se numa Instituição de referência para os
assuntos de educação, profissionalização e socialização de surdos.
A língua de sinais
praticada pelos surdos no Instituto, de forte influência francesa, em função da
nacionalidade de Huet, foi espalhada por todo Brasil pelos alunos que
regressavam aos seus Estados quando do término do curso.
Outra ação importante para
a difusão dessa língua em território brasileiro deu-se no ano de 1875, ocasião
na qual o ex-aluno do Instituto, Flausino José da Gama, desenha o livro Iconographia
dos Signaes dos Surdos-Mudos com cópias distribuídas para várias
localidades do Brasil. A intenção principal era a de divulgar o meio pelo quais
os surdos se comunicavam.
Nas décadas iniciais do século
XX, o Instituto oferecia além da instrução literária, o ensino
profissionalizante. A terminalidade dos estudos estava condicionada à
aprendizagem de um ofício. Os alunos freqüentavam, de acordo com suas aptidões,
oficinas de sapataria, alfaiataria, gráfica, marcenaria e também artes
plásticas. As oficinas de bordado eram oferecidas às meninas que freqüentavam a
instituição em regime de externato.
Por muito tempo o trabalho
realizado na gráfica do Instituto, pelos surdos, foi referência no Rio de
Janeiro recebendo encomenda de encadernação de quase todas as instituições
públicas e particulares nas primeiras décadas da República.
As questões relativas ao ensino
para alunos surdos sempre foram objeto de muita polêmica, situação essa
agravada pelos resultados do Congresso realizado em Milão em 1880, os quais
indicaram a aquisição de linguagem oral pelos surdos como o modo mais adequado
de educá-los. Essa indicação foi muito criticada por alguns professores e
alunos que reconheciam a importância e a legitimidade da comunicação
sinalizada. A principal
crítica que se fazia aos processos de aquisição de língua oral era de que ela
demandava um tempo enorme de treinamento da fala e dos resíduos auditivos,
concorrendo com a escolarização formal que ia sendo abandonada pela importância
que era dada à expressão pela palavra oral. Os incipientes resultados dessa
perspectiva para a educação dos surdos, que demandavam ensino público de massa,
estimularam o surgimento, em meados da década de 80, do século XX, de um
movimento transnacional, contando com acadêmicos, profissionais da área da
surdez e dos próprios surdos no sentido de apontar outros caminhos para a sua
escolarização e socialização. Com apoio de pesquisas realizadas na área
da lingüística que conferiu status de língua à comunicação gestual entre
surdos, esse movimento ganha corpo. Já no final dos anos 80, no Brasil, os surdos
lideram o movimento de oficialização da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.
Em 1993, um projeto de Lei da então senadora Benedita da Silva deu início a uma
longa batalha de legalização e regulamentação da LIBRAS, em âmbito federal.
O Instituto Nacional de Educação
de Surdos, único em âmbito federal, segue ocupando importante centralidade
nessas discussões, promovendo fóruns de debates, publicações, seminários,
pesquisas e assessorias em todo território nacional. Possui uma vasta produção
de material pedagógico, fonoaudiológico e de vídeos em língua de sinais,
distribuídos para os sistemas de ensino.
Atualmente além de oferecer no
seu Colégio de Aplicação, Educação Precoce (de zero a três anos), Ensino
Fundamental e Médio, oferece também Ensino Superior através do Curso Bilíngue
de Pedagogia, experiência pioneira na América Latina.
Solange Maria da Rocha
Diretora Geral
Retirado do Site:
http://www.ines.gov.br/institucional/Paginas/historiadoines.aspx






